Indispensáveis a todo professor, senão a todo cidadão brasileiro, o conhecimento da história e da proposta pedagógica do educador pernambucano Paulo Reglus Neves Freire é imprescindível para o entendimento da história da Educação no Brasil. Especialmente àqueles que se dedicam á educação de jovens e adultos.
Freire mudou a concepção da educação e continua influenciando pedagogos até os dias de hoje – sobretudo no Brasil e na África. Ele nasceu em Recife, em 19 de setembro de 1921 e morreu em 2 de maio de 1997, em São Paulo. Era de classe média, mas na infância, durante a depressão de 1929, conviveu com a pobreza e a fome. Sua obra literária – escreveu individualmente 27 livros – e suas idéias são fortemente influenciadas pela preocupação com os mais pobres, o que o levou a criar seu método de alfabetização considerado revolucionário.
Em 1963, no Rio Grande do Norte, Paulo Freire ensinou 300 adultos a ler e a escrever em apenas 45 dias. Seu método de alfabetização foi adotado inicialmente no estado de Pernambuco a partir dessa experiência e consiste na síntese de algumas correntes do pensamento filosófico do seu tempo. Ele combinou princípios do existencialismo cristão, da dialética hegeliana, da fenomenologia, do materialismo histórico e também do nacionalismo desenvolvimentista do governo de João Goulart. Aliada ao seu talento de escritor, essa concepção conquistou a adesão de pedagogos, teólogos, cientistas sociais e militantes identificados com as mudanças sociais.
Ele foi perseguido pela ditadura militar por causa de suas idéias revolucionárias acerca da educação e da sociedade. Foi preso no Brasil por 70 dias e depois se exilou na Bolívia e no Chile. Em 1967 publicou no Brasil o livro Educação como prática da liberdade, que escreveu no exílio, logo depois de Pedagogia do oprimido.
Identificado como Pedagogia da libertação, seu pensamento identifica-se com uma visão marxista do terceiro mundo e da necessidade de conscientizar e mobilizar as classes sociais oprimidas. Um dos aspectos que mais evidencia o caráter marxista do pensamento Paulo Freire é a convicção de que não existe educação neutra: “todo ato de educação é um ato político”, afirmava.
A proposta de Paulo Freire para alfabetização de adultos tem uma nova compreensão da questão educacional brasileira. Ele interpreta o analfabetismo como produto de estruturas sociais desiguais e, por isso, é um efeito e não a causa da pobreza.
Freire propôs que seus processos educativos sejam transformadores da realidade e via a alfabetização como uma ferramenta para o exame crítico e a superação dos problemas vivenciados pelas pessoas e comunidades. Sua pedagogia foi concebida a partir dos princípios de liberdade, compreensão da realidade e participação de modo a que as pessoas pudessem compreender aas estruturas sociais e as formas de dominação às quais estavam submetidas.
O método previa uma etapa preparatória na qual o educador tinha que conhecer profundamente a realidade e linguagem dos alunos com os quais iria trabalhar. Depois eram destacadas as palavras do vocabulário que fizesse mais sentido para esse grupo e que reunisse variações de padrões silábicos. Essas “palavras geradoras” constituíam a base do estudo da escrita e leitura e também realidade.
REFERÊNCIA:
RIBEIRO, V.M.M. (Org.) Letramento no Brasil. São Paulo: Global, Ação Educativa; Instituto Paulo Montenegro, 2003.
Postagem feita por: Magna Mendes de Oliveira - dia 20/09/2011 às 22h06
Paulo Freire foi um filósofo brilhante que, a seu tempo e ao tempos dos que o cercavam sempre teve uma reflexão crítica sobre o saber, sobre o ser no mundo, sobre o ser humano e sua dignificação neste mundo das letras, dos sonhos e da realidade. Passou e passa em seus escritos paixão, amor e muita emoção sobre a condição humana, começando por ele mesmo. O nosso mais ilustre filósofo, sem desmerecer os outros.
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