As políticas educacionais tendem a impedir a atuação dos organismos governamentais na provisão das oportunidades de formação para jovens e adultos. Paralelamente a isso, há um aumento da visibilidade e da importância da realização de parcerias envolvendo universidades, movimentos sociais, organizações não-governamentais, dentre outras organizações.
Uma das parcerias de maior destaque no estado foi realizada junto ao Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), tendo por objetivo discutir de forma reflexiva o movimento de construção dos Projetos Pedagógicos dos Cursos do Programa Nacional de Integração de Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Jovens e Adultos.
A implementação do Proeja no IFES se deu a partir de uma ideia de integração da justaposição da área de formação técnica à área de formação básica, sendo quatro módulos da disciplina da área de disciplinas básicas, e quatro módulos da disciplina de formação profissional.
Um processo fundamental e importante voltado para a discussão foi a superação dos voluntarismos pedagógicos, e de uma visão, que têm acompanhado a Eja ao longo dos tempos. Existe no IFES um envolvimento ascendente dos professores que atuam junto às turmas do Proeja, e isso tem colaborado para discussões de Projetos Pedagógicos dos Cursos quanto à formação geral e a formação técnica, e já existem tentativas de compreensões mútuas das atividades realizadas por ambas áreas por parte desses profissionais.
Outro avanço considerável é o currículo integrado para um novo Projeto Político Pedagógico, que tem a função de articular a educação básica de nível médio e a formação técnica profissional.
Além disso, deve-se atentar para a formação continuada dos professores voltada para o grupo de pesquisa PROEJA/CAPES/CETEC, que é um fator relevante para a integração entre ensino e pesquisa em torno do PROEJA no IFES.
Outra preocupação do IFES é orientar os professores do Proeja, para que em seu exercício aproveitem a realidade sócio-cultural dos alunos, de forma a considerar suas especificidades, valorizando-os.
Quanto ao ingresso dos alunos nos cursos Proeja, estuda-se uma proposta de seleção diversificada com a intenção de que não seja classificatório e eliminatório, mas sim uma seleção que objetive a inclusão social, contribuindo para redução da evasão escolar.
Constata-se então, que para que a proposta de integração curricular do Proeja se efetive é indispensável a criação de parcerias entre as organizações sociais e a implementação de políticas educacionais que visem a inclusão social dos alunos jovens e adultos.
A questão é bem maior, faz-se necessário que os organizadores do Proeja criem estratégias que conduzam todos os envolvidos no processo educacional a pensarem como poderão contribuir para transformar o repensar do papel social das instituições federais de educação profissional, caso contrário vai apenas significar mais um programa de governo, que esperando pacientemente cairá no esquecimento.
O PROEJA se estabelece, mediante decreto, em um cenário complexo e com quase nenhuma experiência na modalidade EJA. Vale lembrar que as instituições federais de educação tecnológica, historicamente, foram se tornando elitizadas dentro de um quadro de precarização das outras escolas públicas do País. O desafio se coloca, então, para essas instituições, de realizarem uma prática pedagógica ou até mesmo uma parceria com grupos da área tecnológica, socioculturais e etários até então não experienciados.
A educação como uma formação estruturante da consciência ativa dos homens significa que é um pressuposto para a cidadania, não no sentido meritocrático, mas, sim no sentido de pertencimento e participação em todos os bens (sociais, culturais, econômicos e políticos) produzidos pela sociedade ao longo dos tempos e de desenvolvimento pleno de todas as potencialidades humanas. Na discussão dos projetos pedagógicos dos cursos do Proeja consiste na integração entre as áreas geral e técnica e entre as disciplinas. Essa não foi e não será uma tarefa fácil de ser realizada. Sobre as discussões em torno dos PPC’s é possível afirmar que se avançou pouquíssimo, ficando a composição do curso muito semelhante a experiências já praticadas na instituição. Nesse sentido, faz-se necessária uma reflexão mais aprofundada da proposta construída para a educação de jovens e adultos enquanto modalidade integrada à educação profissional.
Para tal, é necessário conseguir financiamento que objetive a criação de um currículo que integre os "conhecimentos gerais aos conhecimentos técnicos específicos", articulando teoria e prática não só investindo em material didático, mas, também em capacitações e implantações de metodologias que sejam passivas de darem resultados realmente efetivos.
Porém, ter capital que viabilize essa construção não é o suficiente para atingir o objetivo esperado na EJA, como foi apresentado anteriormente, a capacitação da equipe pedagógica que está envolvida no processo também é preponderante, visando garantir que até o final da formação do indivíduo essa integração ocorrerá.
No artigo postado no Fórum do Proeja/ES, outro desafio a ser superado "(...) é a revisão da forma de ingresso dos alunos nos cursos do Proeja. Atualmente é feita apenas uma prova de conhecimentos, sendo a mesma classificatória e eliminatória. A ideia de modificar essa forma de ingresso propõe a diversificação do processo seletivo, de modo a atingir o público-alvo ao qual se destina o programa".
Acredita-se que "(...) a reformulação do curso e a diversificação do processo seletivo" poderão ajudar na redução dos índices de evasão. Entretanto, mais importante do que testarem estratégias para evitar ou diminuir a evasão, primeiro devemos identificar o motivo de estar ocorrendo tal fato, pois, como a motivação é intrínseca, percebe-se claramente que o aluno da EJA, no primeiro momento que se predispõe a voltar para a escola, está motivado à concluir seus estudos. Uma das estratégias que poderia ser adotada é a revisão da forma de ingresso dos alunos nos cursos do Proeja. O caráter elitista que a instituição assumiu ao longo do seu desenvolvimento gerou um preconceito em torno de novos projetos educacionais que buscam atender aos segmentos que ficaram marginalizados de uma escola pública de qualidade (PINTO, 2006). Atualmente é feita apenas uma prova de conhecimentos, sendo a mesma classificatória e eliminatória. A idéia de modificar essa forma de ingresso foi apresentada pelo grupo de professores e propõe a diversificação do processo seletivo, de modo a atingir o público-alvo ao qual se destina o programa. Esse processo envolveria: "(...) palestra, aplicação de uma prova, análise de questionário sócio-econômico e entrevista".
No contexto do PROEJA, a busca de universalização do ensino médio, para alcançar os jovens das classes populares, opera contradições e tenta inverter a lógica do capital, ao tomar os Centros Federais de Educação Tecnológica como polos de referência na implementação do Programa, envolvendo o atendimento desse segmento da população para quem, no imaginário social, o acesso ao “IFES” (Escola Técnica) é algo, considerado para muitos, ainda, inalcançável.
Portanto, manter o aluno motivado é que tornou-se um grande desafio, ou seja, utilizar estratégias efetivas que demonstre a importância em estar buscando uma formação integral e de qualidade. Estratégias essas, visando conscientizar e mobilizar esse aluno para quebras das oligarquias opressoras marcadas pela ideologia, onde o mesmo possa fazer parte de uma organização mais justa, que lhe permitirá aspirações culturais, sociais e profissionais mais altas.
Referência:
www.forumeja.org .br





